Medicina-Fetal.net

CONSULTA DE ACONSELHAMENTO MÉDICO FETAL

         Há alguns anos atrás a Neonatologia era uma especialidade nova na medicina. A definição de seu espaço e as fronteiras com a Pediatria e com a Obstetrícia foram se consolidando paulatinamente. Hoje todos nós sabemos seu papel fundamental na qualidade da assistência ao recém-nascido e sua interferência na diminuição da morbi-mortalidade neonatal.

         Faço um paralelo deste histórico com o momento atual da Medicina Fetal (quem sebe Prenatologia). Passada a primeira fase de aceitação, esta nova parte da ciência começa a mostrar sinais de aceitação pela classe e de que está assumindo seu papel na assistência pré-natal. Isto fica bastante evidente para quem está se dedicando ao estudo e prática da Medicina Fetal. Inicialmente predominava encaminhamentos de fetos malformados, parte muito fértil da especialidade. Logo a vitalidade e o crescimento do concepto foram motivos de consultorias e solicitações de segundas opiniões. As avaliações de risco no 1º e 2º trimestres cada vez mais se tornaram fundamentais e úteis. Desta forma, não há dúvida que a dedicação ao estudo de determinada área da medicina melhora a qualidade do atendimento e naturalmente adquire seu espaço no atendimento médico.

         Atualmente estamos chegando ao estágio que julgamos ideal na integração das especialidades para o acompanhamento pré-natal, a consulta de aconselhamento. Esta pode ser conceituada com o acompanhamento periódico da saúde fetal, através de um enfoque de pontos específicos da anamnese e do exame (bio)físico fetal. Cabe aqui enumerar os meios fundamentais que o fetólogo dispõe para o exame fetal: anamnese com a mãe (paralelamente à neo e pediatria), variáveis biofísicas fetais (passando pela produção de líquido amniótico, cardiotocografia, estimulador auditivo e pelo doppler materno-fetal) e o estudo morfológico fetal. Além destes meios diagnósticos, o fetólogo frequentemente solicita a Ressonância Nuclear Magnética, que apesar de aumentar o custo da investigação, frequentemente acrescenta dados importantes da anatomia ou patologia fetais.

É fundamental entendermos a diferença entre o que estamos tratando e uma ecografia obstétrica. A última é um exame subsidiário, muitas vezes nem realizado por obstetra, que, acompanhado de um laudo, é utilizado pelo obstetra no acompanhamento pré-natal. Em contrapartida, a consulta de aconselhamento médico fetal, ou a consultoria com o médico fetal, gera um comprometimento adicional do especialista. Envolve quase uma divisão de responsabilidades no acompanhamento pré-natal, possibilitando ao obstetra uma dedicação especial ao acompanhamento da gestante e esclarecimentos de suas queixas, enquanto delega ou compartilha a avaliação fetal com seu colega (fetólogo ou prenatologista), nunca deixando de comandar o processo. De sua sorte, ao transferir responsabilidades deposita crédito no médico fetal, atribuindo autonomia a este e, como conseqüência, possibilitando que este amplie sua relação com o casal através de uma Consulta de Aconselhamento, focada no feto.

Precisamos ter em mente que a obtenção de dados rotineiros de biometria fetal demanda um tempo reduzido de exame e, em muitos locais, é realizado por para-médicos. Em contra-partida, o exame que o médico fetal executa é um ato médico, em que o ecógrafo é um instrumento de consultório utilizado para atingir seu fim, que é examinar o seu paciente, o feto. Tanto isto é verdade, que já se fala em solicitações de exames por sistemas fetais, como no neonato ou no adulto, p.ex Ecografia do Aparelho Urinário Fetal, ou do Sistema Nervoso Fetal. Onde a descrição seria bastante minuciosa, com morfometria específica de cada sistema e uso de diversas tabelas próprias da Medicina Fetal.

jorge@telles.med.br


Página Inicial